Ter. Out 27th, 2020

Tudo sobre o Karting de competição

 

Com 15 anos de experiência no mundo do karting, Carlos Lopéz sente a motivação de ser um mentor no desbravar do talento competitivo de jovens, potenciais futuros campeões no karting. Activamente focado na evolução competitiva de Adrián García Lopéz, piloto que compete nas Series Rotax (em Espanha) e que está entre os que, em dezembro, vão ao Brasil disputar as Grandes Finais Rotax, Lopez fez um trabalho notável com um jovem que lhe foi ‘parar às mãos’ no início deste ano. Á Karting Global, não passou despercebida a dedicação deste jovem ‘coach’, assim como os resultados obtidos com o ‘pequeno’ Adrián, mais conhecido no ‘paddock’ como ‘Adri’. Por isso, achámos imperioso ter uma conversa com Carlos Lopéz. Entre os temas da conversa ao estilo entrevista, tivemos o foco na sua motivação, ao mesmo tempo que lhe pedimos um balanço da temporada e a sua visão sobre o futuro mais próximo. Obviamente, nessa análise não ficaram de fora as aspirações a um bom resultado nas finais do Brasil.

 

KG – Preparado para as Grandes Finais Rotax, Carlos?
CL – Sinto-me bem e esperançado, já que este ano tive sentimentos diferentes de anos anteriores. Sim, estamos preparados.

KG – Como foi o ano que passou, como correu tudo? Normal?
CL – 2018 foi um ano bastante duro. Com muito trabalho na pré temporada, chegámos à primeira corrida das Series Rotax, em Zuera, com boas expectativas. Tudo estava a correr de forma perfeita, até que sofremos um problema mecânico, quando o ‘Adri’ liderava a corrida. Desta forma ficámos a zero na nossa corrida de casa, algo que acabou por pesar muito no resto do ano. Naquela altura, ver a moral do ‘Adri’ tão em baixo foi o momento mais duro de todos os meus 15 anos de carreira. O ‘Adri’ não é apenas mais um piloto, é como um filho para mim e quando isto aconteceu, tivemos uma conversa que, desde esse momento, acabou por marcar a sua postura neste desporto. Após Zuera, ficámos mais fortes e desde essa altura o ‘Adri’ nunca mais deixou de ir ao pódio, excepto na última corrida em que, após os treinos cronometrados, decidimos não correr riscos desnecessários, já que um qualquer erro poderia pôr em causa a presença nas finais mundiais. Vencer este ano não era possível, já que o Guilherme de Oliveira estava muito forte, além de que tem muita experiência. O máximo que podíamos aspirar era o vice-campeonato e agora, quando regressar do Brasil, o ‘Adri’ será outro piloto e em 2019 iremos com mais força que nunca.

Em Zuera, ‘Adri’ García López viveu o seu momento mais difícil da época, mas deu a volta por cima.

KG – Como é trabalhar e formar um jovem piloto que te chegou às mãos em meados do ano e que no final da temporada se classificou para as finais mundiais Rotax?
CL – Chegou às minhas mãos no ‘jacuzzi’ de um hotel em Saragoça, foi assim (risos). O trabalho com pilotos jovens requer muito no que diz respeito à parte psicológica. Há que o fazer acreditar nas suas possibilidades e, uma vez isso conseguido, temos que ter um ‘trio de ases’ (piloto, kart, mecânico) e depois os resultados saem por si.
Existe outro factor muito importante, os pais jamais podem interferir nas decisões do karting, já que esse é o maior dos problemas neste desporto. Os pais têm que ficar à porta da ‘tenda’ ou no bar. É duro mas é assim que tem que ser.

 

KG – Como esperas que seja o próximo ano?
CL – No próximo ano, estaremos numa categoria nova em que esperamos haja muita gente a competir, para que possamos continuar a progredir. Penso que, se tudo correr dentro da normalidade, o ‘Adri’ poderá ter uma boa temporada. Não vamos mudar a nossa forma de trabalhar e no final do ano veremos o resultado.
Esperamos que possa ter alguns apoios, para o ‘Adri’ poder correr também fora de Espanha.Vamos ver se isso será possível.

KG – E no ano que vem, o que esperas das organizações?
CL – Esperamos que a Korridas siga na mesma linha de organização, mas que solucionem aquilo de que a maioria dos pilotos se queixam: preços, controlos, seriedade, que não existam favorecimentos e que sejam sérios nas verificações.

 

KG – Actualmente existem planos para o regresso da Scuderia Rotax? O que achas disso?
CL – No papel, vamos prosseguir no plano desportivo com a TDKart, dirigida por uma grande quantidade de profissionais liderados pelo Paco, uma pessoa honesta e transparente, algo que não abunda neste desporto. O nosso fornecedor de material é a MarlonKart, importador oficial da TonyKart/Exprit para Espanha, dirigida pela Patrícia e pelo Miguel, dois verdadeiros profissionais.
Se se der o caso de efectuarmos provas internacionais, tenho várias opções no horizonte, mas a última palavra e a decisão final será sempre do ‘Adri’. Eu apenas o posso aconselhar, embora saiba que ele me apoia, tal como os seus pais, que estão à margem no plano desportivo. Assim é um prazer trabalhar. Quero agradecer-lhes todo o apoio e a força que dão às decisões do ‘Adri’ e minhas.
Agora, toca a desfrutar do prémio de participar nas Grandes Finais Rotax do Brasil.

Entrevista conduzida por: José Lourenço
Texto: Jorge Cabrita
Fotos: José Lourenço

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